• Aninha

A mamulenga que conquistou meu coração!

Atualizado: Out 13

- "Aninha, esta é a sua nova companheira: a mamulenga Maria Risonha. Feliz aniversário!" – disse minha mãe sorrindo para mim.




Foi assim que conheci um mamulengo, ao abrir a caixa de presente do meu aniversário. Ele era tão diferente de todos os bonecos que eu já tinha visto, pois além de ser feito de pano, também era de madeira.


Eu amei! Mas...

o que essa palavra engraçada queria dizer?



Então, minha mãe me explicou direitinho:




“Filha, falam por aí que mamulengo é uma palavra que vem de ‘mão molenga’. E eu vou te explicar o porquê: veja só como a Maria Risonha é mole e quando eu coloco as minhas mãos por dentro dela consigo movimentá-la, é como se eu estivesse dando vida a ela. Na verdade, mamulengo ele é um tipo de fantoche criado aqui no Brasil por artesãos da região nordeste, principalmente do estado de Pernambuco. Geralmente este tipo de boneco é feito de madeira, tecido de chita, arame, cola, tinta, massa corrida e, ainda, pode ser sustentado por cordinhas. Já faz um bom tempo que os mamulengos participam de apresentações nas praças públicas das cidades em época de festas religiosas e outras festividades divertindo a todos.




E veja só que legal Aninha: hoje, os mamulengos fazem parte da história do artesanato nordestino e são reconhecidos como Patrimônio Cultura do Brasil. Na cidade de Olinda, em Pernambuco, há um museu dedicado a preservar e divulgar a tradição dos bonecos, e lá podemos encontrar mais de mil deles.


E isto só foi possível pois muitas pessoas habilidosas ajudaram a construir esta história. São artesãos reconhecidos por serem Mestres nesta arte, o que significa que além de fazerem suas próprias criações, ainda divulgam e ensinam esta linda arte para outras pessoas. Para a maior parte destes Mestres, a inspiração surgiu a partir da literatura de cordel, um tipo de poesia popular que conta histórias do folclore brasileiro de uma forma simples e divertida. E, assim, os bonecos nasceram e foram usados em apresentações de teatros públicos. Você gostaria de conhecer alguns destes Mestres Aninha?"


Como eu sou muito curiosa, topei na hora!

Então minha mãe buscou o tablet e, juntas, vimos muitas fotos que mostravam a história do Tio Lopes e do Tio Miro. Enquanto assistíamos, ela me contava assim:


“Filha, este é o Senhor Ermírio José da Silva, conhecido como Mestre Miro. Quando era pequeno, ele assistiu pela primeira vez uma apresentação de mamulengo feita por um outro mestre em uma praça da cidade de Carpina em Pernambuco e, naquele instante, decidiu que faria um boneco para ele.


O seu pai era agricultor e não acreditou que o filho teria talento para isto, mas ele estava enganado. O menino Miro surpreendeu a todos criando um boneco com um cabo de vassoura, pedaços de borracha para fazer as pernas e os braços, e a meia de um de seus irmãos para confeccionar a roupa. E ele não parou por aí, depois disso fez vários bonecos que trocava por brinquedos com seus amigos. Quando tinha 17 anos, ele começou a confeccionar seus bonecos usando madeira de mulungu que encontrava na beira dos rios e estradas. Mas Miro cresceu, formou a sua família e precisava sustentar a todos. Por isto, acabou buscando outros trabalhos como vigia, zelador, vendedor e até mecânico. Porém, nunca deixou de lado as suas criações de bonecos.


O tempo passou, e em 1997 ele criou um de seus bonecos mais importantes e conhecidos, que se transformaria em sua companheira de apresentações pelo Brasil: a Maria Grande. Esta boneca de 1,70 de altura tem algumas partes do corpo articuladas, e, por isso, é chamada de boneca ventríloquo, que significa que quem a conduz pode movimentar a cabeça do boneco abrindo e fechando a sua boca, dando a impressão de que ele fala. Além disso, os pés da boneca são amarrados nos pés de quem a conduz, tornando possível caminhar e dançar com nela.


E você não vai acreditar o motivo de Miro ter a criado filha! Ele conta que quando era mais novo e ia em bailes, as mulheres não queriam dançar com ele e, então, decidiu fazer a sua própria parceira de dançar. Dali em diante, eles dançaram muito forró juntos e ficaram famosos. Depois disso, Mestre Miro criou um grupo de teatro popular chamado de ‘Mamulengo Novo Milênio’ que funciona até hoje. O teatro que leva alegria para adultos e crianças tem mais de 30 bonecos que são os personagens de suas histórias. Hoje em dia, toda a família de Miro trabalha fazendo bonecos e, juntos, chegam a produzir 100 deles por semana. Não é legal saber disso Aninha?”




Uau!

Eu fiquei surpresa e não acreditei que tantos mamulengos poderiam ser feitos em tão pouco tempo. Fiquei imaginando como deve ser legal trabalhar criando bonecos e contando histórias! Foi então que tive uma ideia:


- Mãe! Eu acho que quando eu crescer, vou ser uma Mestre bonequeira! Que tal se a gente começar a treinar agora? Você me ensina como fazer um mamulengo?


Minha mãe sorriu e disse que com certeza tentaríamos. Mas que, antes disso, queria me contar a história de uma outra pessoa: Mestre José Lopes. E lá foi ela falar mais um pouco:


“Aninha, o Senhor José Lopes foi um dos mais antigos Mestres deste ofício, sendo reconhecido como Patrimônio Vivo de Pernambuco, o que faz dele alguém muito importante para a arte popular brasileira. Ele nasceu na cidade de Glória do Goitá de Pernambuco e assim como Mestre Miro, sua história com os bonecos também começou na infância. Ele acompanha a sua mãe na venda de bolos nas praças da cidade durante as apresentações de teatros de mamulengos, e adorava ver aqueles bonecos que dançavam, cantavam e faziam todos sorrirem.

Quando tinha 12 anos já brincava com madeiras e criava seus próprios bonecos, usando tecidos que sua mãe comprava para ele vestir os mamulengos. Criava e dava nome aos bonecos que fazia e, assim, fez nascer o Caroquinha, o Simão, a Quitéria e muitos outros personagens. Quando fez 18 anos, ele se mudou para a cidade de Recife e foi trabalhar em uma serraria, deixando suas criações de bonecos para os finais de semana. Tempos depois, mudou-se para São Paulo e trabalhou como vigia, metalúrgico, mas nunca deixou de brincar com seus mamulengos. E foi a sua paixão pelos bonecos que o fez retornar para Recife. Ele conta que ao chegar lá, correu para mata e catou madeiras para começar a criar novamente, usando ferramentas simples como faca e chave de fendas. Depois disso, decidiu começar a fazer apresentações com o Mamulengo Teatro do Riso junto de outros mestres.


Este teatro existe até hoje e já se apresentou no Brasil e em outros países como França, Itália e Espanha. Mestre José Lopes ganhou prêmios de reconhecimento por seu importante trabalho para a cultura popular brasileira ao levar a alegria dos mamulengos para muita gente por aí. Infelizmente ele já nos deixou filha, com o sonho de ter escrito um livro que contasse a sua história e o seu amor pelos bonecos mamulengos. Mas, com certeza, as suas criações continuarão a levar alegria para muitos lugares, por meio das histórias que seus personagens ainda contarão. Na cidade em que ele morava, conhecida como a “capital do mamulengo”, também existe um museu que reúne cerca de 120 bonecos do mamulengo de Pernambuco, um lugar para conhecer, imaginar e aprender. Quem sabe podemos visitá-lo um dia!

Filha, muitos outros Mestres trabalham com esta arte cheia de alegria e cor como Saúba, Tonho de Pombos, Luiz da Serra, Antonio Biló e outros. Mas, por hoje, acho que já é o suficiente, não é?”


- Também acho mamãe, pois agora o que eu quero mesmo é brincar com a Maria Risonha e criar o meu próprio mamulengo, vamos? - disse enquanto dava um abraço apertado em minha mamulenga.


E foi assim que eu e mamãe passamos a tarde cantando, dançando e dando boas gargalhadas enquanto brincávamos de teatro. A Maria Risonha havia conquistado o meu coração e quanto mais eu brincava com ela, mais a amava. Agora, eu entendia porque Tio Zé e Tio Miro dedicaram as suas vidas aos mamulengos.


Que história legal não é?

E se você quiser conhecer alguns dos mamulengos criados por Mestre Miro e Mestre Zé Lopes, basta acessar a nossa loja virtual aqui no site. Tenho certeza que você vai adorar!








Até a próxima aventura!

Um abraço carinhoso,

Aninha.

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