• Aninha

Nossa Páscoa no Vale Europeu de Santa Catarina

Eu adoro o mês de Abril!


Fico contando os dias até a Páscoa chegar e quando ela chega, é uma curtição! O coelho sempre passa lá em casa deixando as suas pegadas, comendo as cenouras da horta e escondendo aqueles ovinhos coloridos e deliciosos de chocolate para eu encontrar.


Neste dia, mamãe até me deixa comer um ovinho de café da manhã enquanto me conta detalhes da Osterbaum. É como se fosse o nosso “ritual especial” de Páscoa: seguir as pegadas do coelhinho, encontrar os ovinhos e sentar no quintal para lembrar desta história especial.


Ups! Eu esqueci de te perguntar: “você já ouviu falar da Osterbaum? Sabe o que significa?”. Bem, eu vou contar:


Osterbaum é uma palavra de origem alemã que significa “Árvore da Páscoa”, uma tradição que este povo de imigrantes trouxe para o Brasil lá no século XIX, um costume ou herança que as famílias passam a diante, de uma geração para a outra.


Mas, neste ano, não foi como de costume. Ao invés de sentarmos no quintal para lembrar da história, papai e a mamãe tiveram uma grande ideia: me levar para vê-la bem de perto, e eu amei!


E então, naquele domingo de Páscoa, partimos para Pomerode em busca do Parque da Osterfest, a festa de Páscoa dos alemães no Vale Europeu de Santa Catarina. No caminho, mamãe contou que Pomerode é a cidade mais alemã do Brasil e que, neste período, suas ruas e praças ficam com um colorido todo especial.


Eu estava eufórica!


Três horas depois, ao olhar pela janela do carro, eu me surpreendi: as cores estavam em todos os lugares, elas pintavam as arvores, as casas, as pontes, as ruas. Na avenida principal da cidade, vi a estátua de um coelho procurando ovos de chocolate e pensei: estamos na cidade da Páscoa, de verdade!


De repente, avistei uma arvore gigante lá longe... a maior e mais colorida árvore que eu já vi: a Osterbaum!




Fonte: acervo pessoal, 2022.


Saí correndo para vê-la de perto, uma árvore incrível! Tentei contar quanto ovinhos estavam pendurados nela, mas desisti. Então fiquei debaixo dela admirando, e a minha cabeça não parava de me fazer perguntas: como é que aquelas centenas de ovos coloridos foram parar ali? E qual o motivo daquilo tudo?


Eu já te contei que a minha mãe é “meio bruxa”? Uma bruxinha boa, é claro! É que ela carrega dois feitiços especiais: o de adivinhar o que eu estou pensando e responder as minhas perguntas antes mesmo de eu perguntar; e o de fazer com que eu fique “vidrada” nas histórias que ela tem pra me contar. Isso é ou não é feitiço de bruxa em? Estou te contando este segredo porque enquanto eu olhava aquela árvore e fazia perguntas, mamãe se aproximou e começou a responder cada uma delas, em forma de história:


- Filha, esta árvore não é demais? Eu adoro ficar olhando pra ela, pois quando a vejo lembro da história que ouvi da minha mãe quando eu era pequena e que nunca mais esqueci.



Para o povo alemão, decorar galhos com cascas de ovos coloridos é uma tradição durante a Páscoa. E acontece da seguinte maneira: na sexta-feira da semana da páscoa, as famílias escolhem um lugar especial da casa, que seja visível a todos, para colocar um vaso com um galho completamente seco nele. E quando o domingo de páscoa chega, todos se levantam para, juntos, pendurarem ovos coloridos no galho e deixar a casa mais alegre. Também é comum decorar uma árvore seca do quintal de casa e das praças das cidades, e ela fica assim até o segundo domingo após a Páscoa, quando é desmontada.


Fonte: https://abcasa.org.br/conheca-a-osterbaum-arvore-de-pascoa-alema/


Mamãe ainda me explicou que, para muitos povos do mundo todo, esta é uma festa religiosa, que lembra a morte e a vida de Jesus Cristo, um homem que passou pela terra e nos deixou bons exemplos e ensinamentos há muito, muito tempo. Ele nasceu, morreu e ressurgiu, e as pessoas ficaram felizes e tristes por isso. Assim, o galho seco simboliza um tempo de morte, e o ovo representa a existência da vida, e que quando ele se abre é tempo de alegria. Então, aquele galho que estava seco, triste e sem vida quando enfeitado, traz alegria e vida para a árvore.


Fiquei pensando no que mamãe me disse e, depois de um tempo, falei:


- Ah! Acho que eu entendi! A galinha coloca o ovo, certo? Dentro deste ovo tem uma vida, o pintinho. E quando ele quebra a casca do ovo e nasce, a mamãe galinha fica feliz. Uma nova vida surge! E aquela casquinha que era a casinha dele, fica vazia, seca. Quando um bebe nasce, todos mundo fica feliz não é mesmo?


- É isso mesmo Aninha! Isto acontece com todos os animais fêmeas, inclusive com o coelho. Mas a mamãe coelha não coloca ovos não, ela fica grávida e dá a luz há vários coelhinhos. Você acredita que ela pode ter de seis a oito filhotes de uma vez só? E que ela também pode ficar grávida mais de quatro vezes em um mesmo ano? Por estes motivos que o coelho é um símbolo da Páscoa, como um personagem nos lembra da abundância da vida, da fertilidade e que serve de inspiração para esta época que se tornou um momento de celebração em família.


- Outra coisa interessante é que a história do coelho da Páscoa também faz parte da cultura popular da Alemanha, assim como a “Osterbaum”: diz a lenda que por lá existia a “Osterhase”’, uma lebre que trazia ovos enfeitados para as crianças e os escondia durante o período do início da primavera que, para os alemães, começa no mês de março. Este animalzinho se parece muito com o coelho, mas é um pouco maior, tem as patas e as orelhas mais compridas e prefere viver livre em grandes campos ou pastos ao invés de fazer tocas.




Fonte: https://blog.cobasi.com.br/diferenca-entre-lebre-e-coelho/


Aí, mamãe lembrou de me dizer que cozinhar ovos e pintar as suas cascas para decorar as casas é um costume muito antigo dos alemães. E que quando algumas famílias vieram da Alemanha para o Brasil, elas trouxeram com elas esta lenda e que, como um presente, ela foi deixada pelos tataravós, que contaram para os avós, que contaram para os seus filhos e, por fim, para as crianças. E é assim até hoje.


Eu achei esta história fantástica! Então, disse:


- Eu queria muito poder fazer isso na nossa casa mamãe, enfeitar um galho seco com ovinhos. Mas, como é que a gente faz para deixar a casca do ovo colorida?


- Hum! Melhor do que eu te falar, é a gente fazer e que tal se for agora? Aqui na Osterfest, há um lugar preparado especialmente para isso, vamos lá? - respondeu mamãe, sorrindo.


Meus olhos brilharam! E, minutos depois, estávamos pintando os nossos próprios ovinhos.





Fonte: acervo pessoal, 2022.


Foi uma experiência bem divertida, e muito fácil de fazer. Vou te explicar: na sua casa, você pode ir guardando as casquinhas e quando a sua mamãe foi usar os ovos para cozinhar, ela faz um furinho pequeno para o ovo sair de dentro e a casquinha ficar inteirinha. Depois, ela deve ser lavada por dentro e deixada para secar no sol de cabeça pra baixo. Quando estiverem secas, é só se divertir pintando com tinta guache ou papel crepom úmido. A decoração fica por sua conta e imaginação: dá pra fazer desenhos, misturar cores e até escrever palavras ou frases. Eu escolhi fazer uma mistura de cores e o resultado ficou bem legal! No final, levei as casquinhas que eu pintei para casa, para enfeitar o nosso galho seco.


Caminhando mais um pouco pelo parque da Osterfest, encontramos o maior ovo pintado à mão do mundo! Eu achei muito lindo e gigantão também. Olha o tamanho das pessoas perto dele!



Fonte: acervo pessoal, 2022.



Depois, encontramos outras oficinas de arte e é claro que eu quis participar de todas. Em uma delas, pude fazer uma atividade culinária: pintar e decorar bolachinhas, uma delícia!



Fonte: acervo pessoal, 2022.







Em uma outra oficina, pude confeccionar o meu próprio coelhinho de tecido, vocês acreditam? Eu amei esta atividade! Pude pintar o seu rostinho do jeito que eu queria. Ele ficou tão fofinho...



Fonte: acervo pessoal, 2022.














E para encerrar o nosso passeio pela Osterfest, visitamos a casa do coelho e eu aproveitei para abraçar os bonecos e tirar muitas fotos. Eu achei muito legal ver as fotos da família coelho penduradas na parede da sala.



Fonte: acervo pessoal, 2022.








Ao sairmos do parque, descobrimos um zoológico! E ficamos sabendo que ele é o maior zoológico de Santa Catarina, e que nele moram muitos animais. É claro que a gente não perdeu a oportunidade de visita-lo, e veja só o que encontramos por lá:



Fonte: acervo pessoal, 2022.



O leão estava preguiçoso, mas logo apareceu outro que ficou rugindo alto e forte. Eu fiquei um pouco assustada, mas adorei! Vimos zebras, girafas, tucanos, cobras e muito mais.

Depois de visitar o zoológico, mamãe e papai me levaram para conhecer a Rota do Enxaimel. Eu não sabia o que este nome engraçado significava. No caminho pra lá, papai me explicou que significa um jeito diferente de construir casas, também inventado e trazido para o Brasil pelos imigrantes alemães. Neste lugar, descobrimos uma vila com mais de 50 casinhas bem parecidas, feitas de madeira, sem pregos ou parafusos, com as madeiras encaixadas umas nas outras. Muito fofinhas! Até lembravam as casas dos contos de fada dos meus livrinhos.



Fonte: acervo pessoal, 2022.


Continuamos a nossa viajem até que escureceu e paramos para dormir em uma outra cidade chamada Indaial. E foi lá que descobrimos a história de duas pontes com nomes iguais.

A primeira que conhecemos foi a Ponte Pênsil do Warnow, uma ponte que balança e que não cai por causa de alguns cabos que a sustentam ou seguram. Ela foi construída em 1985 sobre o Rio Itajaí-Açu, o mais importante da região. É um lugar em que as pessoas vem para conhecer, para atravessar de bicicleta, de a pé e até de carro pequeno.



Fonte: acervo pessoal, 2022.


A outra é a Ponte de madeira coberta do Warnow. Adorei conhecer esta, e mamãe contou que ela é um patrimônio histórico nacional preservado e original e que na Europa Central cobrir as pontes era uma tradição e serviam para proteger as peças de madeira utilizadas para construir a ponte. Mas, infelizmente um acidente aconteceu. Papai contou que há um tempo atrás um caminhão bateu nela e destruiu uma parte do telhado da cobertura e, então, eles decidiram tirar a cobertura e, com isso, deixamos de ter este patrimônio cultural reconhecido pela Unesco.



Fonte: https://oindaialense.com.br/cotidiano/pontes-do-warnow-recebem-melhorias-1.1985197



Dali, seguimos para outra cidade chamada Timbó, e lá encontramos uma outra linda ponte no meio da cidade, olha só!



Fonte: acervo pessoal, 2022.


Ela faz parte de um lugar que é muito visitado em Timbó e que se chama Jardim do Imigrante. Mamãe disse que a ponte é o cartão postal da cidade, como a Ponte Hercílio Luz é para Floripa, onde a gente mora. Lá também encontramos uma represa, a casa do artesão, um restaurante bem gostoso com um nome difícil... “Thapyoka” e até uma roda d´água pertinho de uma casa do tipo enxaimel!



Fonte: acervo pessoal, 2022.



Depois de almoçarmos neste restaurante de nome engraçado, partimos para a nossa última aventura: conhecer o Morro Azul! E você não vai acreditar no que a gente viu por lá! Um balanço gigante que faz a gente parecer um pássaro ao se balançar!



Acervo pessoal, 2022.


Morro azul... será que este nome é uma homenagem a cor do céu? Aquele céu azulzinho pintado com nuvens de algodão é demais!

E, naquele dia, haviam muitas pessoas saltando de parapente e, também, fazendo balonismo. Que delícia!



Fonte: acervo pessoal, 2022.


Já no carro, de volta pra casa, mamãe me disse uma frase que eu não vou mais esquecer:


- Esta é a mensagem que a Páscoa vem nos trazer Aninha: que a vida é boa, que há esperança e que devemos viver com alegria os momentos em família!


E, ao me perguntar se eu havia gostado do passeio, eu respondi:


- Eu adorei este dia! Amei as cores, os doces, os lugares... achei incrível ver tantos animais de perto, conhecer aquelas casas que pareciam de boneca e, principalmente, ouvir as histórias da Pascoa que você contou! Queria que todas as crianças pudessem viver um dia assim em família!


Um beijo carinhoso e até a próxima história!

Aninha.

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